quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

526 grãos

Eu nunca entendi as mulheres. São todas complicadas, neuróticas, histéricas e dramáticas. Mas, antes que alguma venha brigar comigo por conta disso, eu devo confessar que hoje, sim, HOJE, eu entendi parte dos problemas femininos.
Depois de comer uns 3 pedaços de pizza... tá bom, 4 pedaços de pizza com dois copos de coca normal, eu comecei a baixar algumas fotos da máquina de mamãe. E foto vai, foto vem, crianças fofinhas, adultos felizes, sol brilhando, praia, mar e verão... eis que surge algo inexplicável. Eu, pego de supresa, na piscina, sem camisa.

PAM.(sonosplastia, por favor)

Sabe quando você está passando fotos despretensiosamente, lá, lá, lá, e vê algo estranho, para e volta praquela foto: "peraiii o que é isso?"
Lá estava na foto um ser corcunda, branco como neve e gordo. E o pior, esse ser era eu!
Num primeiro momento assustei. Até confesso que neguei aquela imagem por alguns minutos - deve ser a posição, ou então a postura que marcou essa barriga. Levantei da cadeira, levantei a camisa e fui pro espelho. E lá estava ela. Igual, igualzinha a da foto, a mesma barrigona branca. Era mesmo eu, não tinha mais dúvidas.

Depois do susto veio o drama. Meu primeiro impulso era de sair correndo, abrir a geladeira e acabar com a pizza do jantar, fria mesmo, em cima da cama, ouvindo Maria Bethania. Cheguei a cogitar a idéia de fazer uma pequena lipo nos pneumáticos aqui, mas logo ela foi embora. Minha vontade era entrar no chuveiro e lá ficar até que a água me derretesse.

E passado o drama, surgiu a neurose. Nunca mais comer pizza, latas inteiras de brigadeiro, litros de coca, sorvetes e chocolates. Jamais comer frituras, bolinhas de queijo crocantes e suculentas. JAMAIS!
Daqui pra frente somente frutas, muita água e produtos integrais. Tipo aquelas Broas de 526 grãos. Pilates, spinning, musculação e corrida, no parque, porque sempre é bom tomar um solzinho de vez em quando.

Passada a neurose... bem, passada a neurose viria o comodismo e o relaxo, eu ficaria assim por hoje e amanhã mesmo não resistiria ao convite do "vamos comer pizza?" e eu só iria pensar na minha barriga novamente daqui dois ou três meses. Ou anos.

Mas, eu espero que isso não aconteça. Pois eu não quero estar com 40 anos e ver, do nada, uma foto onde eu mais pareça uma grávida de 8 meses e meio de gestação. E eu não quero correr o risco de entender TANTO assim as mulheres.

17 again

Sabe quando você tem 17 anos e você imagina você mesmo com 30 anos?
Sim, aquela pessoa bem sucedida, com um carro bom, apartamento ok e uma profissão promissora, bla, bla, bla. Com 17 anos, estamos geralmente escolhendo nossa profissão, ainda cercados de mimos e ouvindo coisas do tipo: "ahn, mas vc ainda é novo pra escolher uma profissão... ainda tem tempo pra mudar se quiser".
Com 17 anos tudo pode mudar.
Se você é um pouco gordo ou muito magro ou dentuço ou sei lá o quê, ok, ainda é jovem, pode mudar.
Se você não sabe inglês, ok, você é novo, tem muito tempo pra aprender quantas linguas quiser.
Se você ainda não conhece Paris, ok, você terá muito tempo, quando começar a ganhar dinheiro e sucesso, tipo com 30 anos, poderá ir... quem sabe... a trabalho?!

Com 17 anos é tão bom pensar nos 30. Tantos projetos realizados, tantas questões resolvidas, tantos planos ainda em andamento. Os 30 anos são tão prazeirosos quando temos 17.

E é justamente por isso que eu resolvi voltar aos 17. E eu vou contar por que razão.

Com 30 anos eu estou tentando, ainda, escolher uma profissão. Agora, sem mimos e ouvindo coisas do tipo: "você precisa saber o que quer da vida! trabalhar! vc tem quase 30 anos, não tem mais tempo a perder... aliás, já perdeu muito tempo..."
Se você não sabe inglês, azar o teu. Sim, pois agora os tempos mudaram, você precisa dele e de mais um ou dois idiomas. E se você quiser aprender, vai por mim, melhor procurar uma turma denominada "inglês adultos" ou você corre o risco de ser corrigido pelo seu colega de turma de apenas 13 anos, mas que já domina boa parte do idioma só usando a internet.
Se você não conhece Paris, você tem duas opções: ou você supera e fica vendo repetidamente o DVD de "Paris, Je t'aime", ou então vai na CVC e parcela sua viagem 18 vezes sem juros e ainda conhece a cidade luz acompanhado de 15 velhas, 5 velhos e 4 casais em lua de mel.

Diante de todo esse panorama, eu pensei que se eu não tenho os 30 anos, aqueles idealizados quando eu tinha 17, eu vou jogar os 30 pros 40 e voltar a ter 17 hoje! Esperto, não?!
E como se faz isso? Fácil, veja:

- faça um novo vestibular, comece um novo curso; além de você aprender coisas novas, ganha créditos com as pessoas e ainda por cima é ótimo para o seu ego "uau vc passou!! que inteligente!!!!", mesmo que seja em Letras, Filosofia ou Química. E aos 30 anos;

- entre numa atividade extra-curricular, tipo música, balé, teatro; lá você vai encontrar jovens ambiciosos, talentosos e cheio de sonhos... isso vai te inspirar a ser um sucesso aos 30, digo, 40 anos;

- assista Glee e mil séries, cadastre-se em tudo: twitter, blogs, facebook; isso ajuda você a ser mais aceito na sua nova faculdade, sem passar por tiozão. Não é prático?

- e, vc nunca esteve em Paris? ótimo, faça um intercâmbio pela nova faculdade, vá participar de algum seminário internacional, um curso de dois meses... qualquer coisa que legitime sua ida à Paris.

Viu como é fácil?
Agora, se depois de tudo isso você não conseguir ter pelo menos um salário digno, realização pessoal e uma viagem a Paris, é bom você procurar ajuda.
Porque a gente só faz 17 anos duas vezes na vida: uma aos 17 e outra aos 30.