Às vezes eu acho meio estupidez essa coisa de blog. Não sei
se tenho vontade de escrever as coisas que sinto, o que estou vivendo e o que
estou vendo. Seria muito simples se eu
abrisse uma página e contasse, dia por dia, a minha vida longe de casa. Bom.
Primeiro vamos ao “longe de casa”. Não. “Primeiro” não. Vamos falar exatamente
sobre isso. E só sobre isso.
Há quem diga que morar em outro lugar não significa estar
longe de casa, pois nossa casa é onde a gente está e não onde ela está. Digo,
onde ela está fisicamente instalada, aquela que conhecemos como “nossa casa”,
aquele lugar que podemos usar quando falamos “bom, to indo pra casa pessoal!”.
Mas o fato é que sim, às vezes eu me sinto longe de casa.
Não dá pra não pensar na nossa casa quando se tem um domingo de sol. Dá
saudades desses lugares previsíveis, com pessoas, sons e cheiros previsíveis.
Dá saudade dessa coisa conhecida, dá saudade de experimentá-la mais e mais
vezes e poder dela lançar mão toda vez que quiser.
É que às vezes cansa conhecer coisas novas,
lugares novos e pessoas novas. Não que isso seja
ruim. Isso dá preguiça, às vezes. E aqui parece que a cada vez que você conhece
alguém (o que acontece praticamente todos os dias) você tem que retomar do
zero. Explicar, tudo, desde o começo: o nome, como ele é escrito e pronunciado,
de onde você vem, o que faz aqui, qual a razão de estar aqui. O eterno
recomeço.